O sistema daiyo kangoku de detenção provisória continuou em vigor, aumentando o risco de práticas interrogatórias abusivas. O movimento de reparação para as “mulheres para o conforto” ganhou um impulso extra, com várias cidades japonesas pedindo veementemente que o governo central indenizasse e pedisse desculpas para as sobreviventes desse sistema de escravidão sexual imposto pelos militares japoneses. Em julho, o ministro da Justiça criou um grupo de trabalho sobre a pena de morte. Naquele mesmo mês, duas pessoas foram executadas. Refugiados e requerentes de asilo continuaram vulneráveis a abusos. Um homem foi morto ao ser deportado e dois imigrantes detidos cometeram suicídio.
Em maio, a alta comissária da ONU para os direitos humanos visitou o Japão e apelou ao governo para que estabelecesse uma instituição nacional de direitos humanos, abolisse a pena de morte e solucionasse a questão das “mulheres para o conforto”. Em junho, Naoto Kan assumiu o cargo de primeiro-ministro após a renúncia de Hatoyama Yukio, que estava há nove meses na posição. O Partido Social Democrata se retirou da coalizão no poder em função do fracasso das renegociações sobre a transferência da base estadunidense de Futenma, em Okinawa. Após as eleições de julho, a coalizão no poder perdeu o controle da Câmara dos Conselheiros para o Partido Liberal Democrata.
Início da páginaO sistema daiyo kangoku de detenção provisória continuou facilitando o avanço da tortura e de outros maus-tratos, executados com o intuito de extrair confissões durante interrogatórios. De acordo com o sistema daiyo kangoku, a polícia pode deter suspeitos por até 23 dias.
Em maio, a relatora especial da ONU sobre violência contra as mulheres notou que vítimas de crimes sexuais “não querem receber compensações econômicas desacompanhadas de pedidos oficiais de desculpas e do reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado”. Ela considerou o movimento de reparação das “mulheres para o conforto” um dos mais organizados e bem documentados já vistos. Conselhos de 21 cidades ou municípios japoneses aprovaram resoluções defendendo pedidos de desculpas e compensações para as sobreviventes do sistema.
Início da páginaDuas pessoas foram executadas em julho, exatamente um ano depois das últimas execuções. Pelo menos 111 prisioneiros, dentre os quais vários portadores de deficiências mentais, permaneceram no corredor da morte em condições adversas. As execuções são normalmente feitas de forma secreta, por enforcamento. Quando muito, os presos têm apenas algumas horas de aviso prévio antes de serem executados. A família só é informada após a execução.
Em março, a Dieta, o parlamento japonês, aprovou um projeto de lei que abole a prescrição para casos de assassinatos que estão sujeitos à pena de morte. Em julho, o ministro da Justiça criou um grupo de trabalho dentro do ministério para estudar a pena capital. Audiências foram realizadas em agosto, setembro e outubro, sem divulgação das conclusões.
Pedidos de reconhecimento de refugiados continuaram sujeitos a atrasos significativos, em alguns casos com demora de até uma década para finalização do processo. Decisões sobre pedidos de asilo continuaram sendo tomadas sem revisão judicial ou outro tipo de exame independente. Em dezembro, estimava-se em mil o número de indivíduos que haviam entrado com pedidos de asilo. Aproximadamente 30 pessoas receberam o status de refugiados. De acordo com a Lei de Controle de Imigração e Reconhecimento de Refugiados, imigrantes em situação irregular e requerentes de asilo, incluindo crianças, foram detidos por tempo indefinido, sem que pudessem solicitar um exame independente da necessidade de detenção. O Japão se tornou a primeira nação asiática a reassentar refugiados cujos pedidos foram processados fora do país, ao receber 27 refugiados de Myanmar vindos da Tailândia.