Dezenas de pessoas ficaram feridas quando a polícia dispersou um acampamento montado por manifestantes indígenas durante uma passeata até La Paz, para protestar contra os planos de construção de uma estrada que atravessaria um território indígena protegido. Houve condenações relativas aos eventos de 2003, conhecidos como "Outubro Negro".
A tensão social intensificou-se durante o ano, em meio a constantes protestos por questões econômicas e direitos indígenas.
Em março, o Comitê da ONU sobre a Eliminação da Discriminação Racial acolheu positivamente uma legislação aprovada pelo Congresso em janeiro para combater a discriminação racial. Entretanto, o Comitê mostrou-se preocupado com a sua implementação, com a baixa representatividade de cidadãos indígenas nas instâncias decisórias, com o acesso deles à Justiça e com a falta de clareza a respeito de mecanismos que garantam a coordenação e a cooperação com o sistema de justiça comum na nova Lei de Delimitação Jurisdicional.
Top of pageEm 25 de setembro, dezenas de pessoas ficaram feridas quando a polícia usou gás lacrimogênio e cassetetes para desfazer um acampamento temporário montado por manifestantes indígenas próximo a Yucumo, departamento de Beni. Eles participavam de uma marcha de aproximadamente 580 quilômetros de Trinidad, no departamento de Beni, até a capital La Paz, para protestar contra os planos do governo de construir uma estrada que atravessaria o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Sécure (TIPNIS), em violação às garantias constitucionais que preveem uma consulta prévia com os povos indígenas afetados, bem como em violação às leis de proteção do meio ambiente. A polícia prendeu centenas de manifestantes indígenas, levando-os até as localidades de San Borja e Rurrenabaque a fim de que fossem transportados de avião pelos militares até o local onde viviam.
O governo afirmou que a estrada traria desenvolvimento econômico. Porém, os manifestantes indígenas disseram que ela tornaria a área acessível à indústria extrativista, incentivando o desmatamento e a produção de coca. A repressão policial motivou a renúncia dos ministros da Defesa e do Interior e provocou protestos por todo o país.
Em outubro, o projeto foi cancelado pelo Presidente Morales. Em novembro, um juiz determinou a prisão domiciliar do subcomandante da Polícia Nacional por ter supostamente ordenado a operação policial de Yucumo. Investigações criminais sobre as ações da polícia ainda transcorriam no final do ano.
Top of pageIndivíduos responsáveis por violações graves de direitos humanos, cometidas no período anterior ao restabelecimento da democracia em 1982, tais como desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais, continuaram a evadir a Justiça.
Até o fim do ano, as forças armadas ainda não haviam entregado ao ministério público informações referentes a violações cometidas no passado, apesar de a Corte Suprema ter expedido uma ordem, em abril de 2010, requisitando que tais informações fossem tornadas públicas. O governo não tomou qualquer iniciativa para que as informações fossem reveladas.
Em fevereiro, Gróver Beto Poma Guanto morreu em um hospital dois dias depois de ter sido espancado pelos instrutores da escola de treinamento militar Côndores de Bolívia (ESCOBOL), em Sanandita, departamento de Tarija. No fim do ano, três militares ainda eram investigados por participação no caso. Entretanto, apesar dos reiterados apelos para que o caso fosse transferido para a competência civil, as investigações continuaram a cargo do sistema de justiça militar, que não conta nem com independência nem com imparcialidade.
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