Os movimentos populares que eclodiram no norte da África encontraram forte eco junto à população da África subsaariana, principalmente nos países com regimes repressores. Sindicalistas, estudantes e políticos de oposição sentiram-se inspirados a organizar suas manifestações. As pessoas saíram às ruas para expressar suas aspirações políticas, sua busca por maior liberdade e sua frustração por viver em meio à pobreza. Elas protestavam contra sua situação econômica e social desesperadora, e contra o aumento no custo de vida.
Martina Correia olha para a prisão no exato momento em que seu irmão, Troy Davis, é executado, em 21 de setembro, Geórgia, EUA, apesar das sérias dúvidas sobre sua condenação.
No dia 11 de agosto de 2011, a juíza Patrícia Acioli foi atingida por 21 tiros em frente a sua casa em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, por membros da Polícia Militar. Conhecida por seu longo histórico de presidir julgamentos envolvendo a participação de policiais em violações dos direitos humanos, a juíza tornou-se alvo de diversas ameaças de morte. Em outubro, 11 policiais, entre eles um comandante da Polícia Militar, foram detidos e acusados de participação no assassinato. Há informações de que a juíza Acioli, na época em que foi morta, conduzia um inquérito sobre denúncias de execuções extrajudiciais e de atividades criminosas dos policiais envolvidos em sua execução. Sua morte foi um duro golpe no movimento por direitos humanos no Brasil. Porém, sua busca por justiça continua a servir de inspiração para muitos outros que, como a juíza Acioli, se recusam a permitir que violações dos direitos humanos continuem sendo cometidas livremente.
Com a chegada dos ventos de mudança política que sopraram do Oriente Médio e do norte da África, diversos governos da região da Ásia e da Oceania reagiram aferrando-se ainda mais ao poder e reprimindo as demandas por direitos humanos e dignidade. Ao mesmo tempo, o sucesso dos levantes na Tunísia e no Egito inspirou defensores dos direitos humanos, ativistas e jornalistas, na Ásia, a erguerem suas próprias vozes, combinando novas tecnologias com ativismo ao velho estilo, a fim de desafiar as violações dos seus direitos.
Policial maltrata ativista político durante manifestação em Baku, Azerbaijão, 12 de março de 2011. Em março e abril, os protestos foram praticamente criminalizados e muitos organizadores presos.
Ao amanhecer de um dia de primavera, em um pequeno vilarejo da Sérvia, uma das maiores caçadas humanas da Europa chegava ao fim. O general Ratko Mladić, procurado, entre outras coisas, pelo assassinato de 8 mil homens e meninos em Srebrenica, finalmente enfrentaria a Justiça. Dois meses depois, o sérvio-croata Goran Hadžić, o último suspeito ainda procurado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, também foi detido na Sérvia e transferido para Haia.
A ativista iemenita Tawakkol Karman, ganhadora de um prêmio Nobel da Paz, grita palavras de ordem em manifestação contra o governo em Sanaa, Iêmen, 15 de fevereiro de 2011.
Para os povos e os Estados do Oriente Médio e do norte da África, 2011 foi um ano realmente histórico. Foi um ano de levantes populares e de tumultos jamais vistos, um ano em que pressões, demandas e protestos de uma nova geração, há tanto reprimidos, foram derrubando diversos líderes veteranos que, até momentos antes de sua queda, pareciam invencíveis. No fim do ano, alguns desses líderes ainda tentavam manter suas garras no poder, recorrendo aos meios mais brutais, por preverem o que o futuro lhes reservava. A região como um todo ainda estava atordoada pelas consequências do terremoto social e político que irrompeu nos primeiros meses do ano. Apesar de todas as incertezas que pairavam no ar, os eventos de 2011 pereciam ter, para os povos da região, uma dimensão tão grandiosa quanto tiveram a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética para os povos da Europa e da Ásia Central.